[Projeto um Conto por Amor] Para Sempre – Paula Pacheco
Era uma tarde quente de verão quando encontrei aquela caixa bem escondida no fundo da última gaveta do guarda roupa, escondida e camuflada, guardando todos os nossos segredos, guardando as lágrimas que derramei a dois anos atrás, guardando as cartas, presentes, guardando toda a minha vida contigo.
E então aquele mesmo sentimento de dois anos atrás me atingiu. Era medo? Era tristeza? Ou só era um amor que não deu certo? Era medo de ficar sozinha, medo da idéia de ter você tão longe de mim, de não poder sentir o seu cheiro, o seu gosto, de não sentir o calor do seu corpo quente colado ao meu embaixo dos cobertores. Era medo de te perder, medo que trazia consigo a tristeza, a angustia, medo esse, que me quebrou o coração.
Lembro-me como se fosse ontem, ou até mesmo agora, porque todo aquele sentimento que eu achei ter deixado guardado para sempre na caixa a minha frente vinha ao meu encontro mais uma vez. Aquele maldito sentimento, maldito amor, maldita paixão, maldito o seu cheiro viciante, o seu gosto doce e os seus olhos que mais pareciam duas esmeraldas. Maldito você. Naquele avião idiota e não ao meu lado lendo o meu livro preferido. Ainda conseguia me lembrar do som da sua voz ao fazer isso, conseguia me lembrar da sua boca se movendo enquanto você citava aquele trecho de Oscar Wilde tão amado por mim:
— O meu medo é que ele te escravize.
— E o meu é que me deixe livre.
Isso nos resumia, resumia o meu medo absurdo de não te ter, de ser livre de você, eu não poderia, eu não conseguiria. Ser livre? Do que me adiantaria ser livre de você se eu ainda me via prendida nos sentimentos escondidos naquela caixa?
Eu a abri, mas devagar do que o necessário, com medo do que ela me revelaria. Você. Nós. Foi isso que aquela caixa de veludo me revelou. Ela me revelou o que eu mais temia.
E em meio a tantas lembranças nossas lá estava a carta, a nossa carta. Sua caligrafia elegante dizia tudo o que o meu coração precisava ouvir naquele dia, naquele dois anos atrás, me revelava tudo o que eu sempre precisaria saber. Verdade ou não.
Querida Anne,
Sinto muito por ontem, sinto por ter sido tão rude contigo. Isso é tão novo para mim, eu desconheço esse sentimento, desconheço as sensações que você me provoca, do mesmo modo que até antes de te conhecer desconhecia olhos tão escuros e brilhantes, desconhecia uma voz tão doce e suave, desconhecia o amor. Me perdoe. Me perdoe por te amar, eu não pude evitar.
Com amor,
Do seu John.
As lágrimas desciam correndo pelo meu rosto mais uma vez. Eu sabia. Era inevitável. Eu não era livre, nunca seria. Você me escravizou naquela noite quente de dezembro, eu não preciso ter medo, eu nunca serei livre. Serei para sempre sua.
Texto de Paula Pacheco, do blog Maldito Clichê, escrito para o Projeto – Um conto por amor.

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O conto é lindo ‘-’
adorei, paula é muito talentosa o/
beijos
nossa, lindo mesmo! *-*
parabens!
OOnw lindoooo